Maria Moyses, 34 anos. A psicóloga já juntou 700 bonecos Playmobil
A coleção começou em 1998, quando Maria descobriu que a fábrica de brinquedos Estrela pararia de produzir o Playmobil no Brasil. “Passei a comprar todos os que encontrava pela frente. Não queria que deixassem de existir”, lembra ela. Contando bonecos e acessórios, já são mais de 5 000 peças. Muitos deles vieram de fora do país, como os noivinhos franceses que sua mãe encontrou em Paris. “Conseguir um item que você queria muito é sensacional”, afirma. Há dois anos, Maria criou uma conta no aplicativo Instagram (Iloveplaymo) com fotos dos homenzinhos em cenários reais. Quando viaja, leva duas malas cheias dos bonecos para clicá-los. Hoje, tem mais de 100 000 seguidores. Seu trabalho foi parar na fan page oficial da Playmobil. “É outra forma de realização”, diz ela, que toma cuidado para não perder o bom-senso e ultrapassar a medida. “Conheço pessoas que se endividam por causa de uma coleção, mas não é meu caso”, garante.
Mascarenhas passeava pela Savassi quando viu passar, guinchado, o Packard 1937 Super Eight Dietrich (na foto), que foi o primeiro carro desua coleção. Era o ano de 1964. De lá para cá, não parou mais de procurar raridades. “Já tive 118, mas deixei a quantidade e foquei a qualidade. Fiquei só com os mais raros.” Entre os eleitos estão o Horch 1939, modelo Pullman Limousine, um presente do ditador alemão Adolph Hiltler ao presidente brasileiro Getúlio Vargas.
No livro Ter e Manter: uma História Íntima de Colecionadores e Coleções, publicado no Brasil pela editora Record, o alemão Philipp Blom apresenta explicações históricas, filosóficas e psicológicas para esse hábito de acumular badulaques que persegue a humanidade. Segundo ele, a mania tem a ver com competição, medos, fracassos e desejos não realizados. E não é raro que seja um traço familiar, passado de geração a geração. “Sou filha de um atacadista. Meu pai não consegue comprar uma peça só de cada coisa”, reconhece a psicóloga Maria Moyses, que se descobriu, ainda criança, uma colecionadora compulsiva. “Se tenho cinco cartões de telefone, já penso que isso daria uma coleção. De cinco para 5 000 é um pulo.” Ela já juntou papéis de carta, canecas e até embalagens de sanduíche de uma rede de fast-food. Há duas décadas, coleciona Playmobil. Tem mais de 700 bonequinhos, que foram febre na década de 70.
Samy Huven, 51 anos. O empresário acumula 1000 itens relacionados ao Batman
Há 45 anos, ele coleciona tudo o que se refere à vida do homem-morcego. Integrante de um grupo conhecido como in-card collectors, mantém os brinquedos nas caixas, sem nunca abri-las. A paixão pelo super-herói já o fez investir na produção de itens não encontrados no mercado, como o telefone vermelho que, no seriado de TV, era acionado quando Gotham City estava em perigo. “Precisei ver as fitas antigas e congelar as cenas para tentar reproduzi-lo”, diz ele, que chegou a ter um Monza adaptado, que imitava o Batmóvel.
Para a psicanalista Isabel Haddad, fazer coleções é uma forma de tentar garantir a continuidade das coisas e traduz, ainda que inconscientemente, certo desejo de driblar a morte. “Uma coleção não tem fim, não existe um elemento que feche o conjunto”, afirma. “Desde que não vire uma obsessão, pode ser um hábito saudável.” Quase sempre os colecionadores procuram resgatar um mundo que não existe mais e manter total controle sobre ele. “Minha motivação principal é, sem dúvida, recuperar a história da motocicleta no Brasil”, afirma o empresário Rômulo Filgueiras, dono de 62 motos antigas e mais de 4 000 miniaturas. Seu grande sonho é ver seu acervo de raridades exposto em um museu.
Rômulo Filgueiras, 52 anos. O empresário tem 62 motos antigas e 4 000 miniaturas
Filgueiras perde o sono quando está prestes a conseguir uma raridade. “São três momentos: a descoberta da peça, a negociação e a aquisição. É uma ansiedade.” Sua maior loucura, diz, foi comprar uma FN Belga de 1909 (hoje avaliada em 250 000 reais) com apenas uma foto de referência. “Fiz o depósito sem ter a menor ideia do estado dela”, lembra. Sua mulher, Andressa, se diverte com a obsessão: “Sabe quando a gente compra uma bolsa e engana o marido dizendo que já tem há tempos? Ele faz o mesmo. Acha que não percebo quando uma moto é nova”.
O resgate da história também é o que motiva o compositor Pacífico Mascarenhas, que desde os anos 60 coleciona carros antigos. O primeiro que comprou, um Packard 1937 Super Eight Dietrich, seguia para um ferro-velho quando foi descoberto por ele. Usado como carro oficial por presidentes da República, o modelo havia sido retirado de circulação e estava em péssimas condições de conservação. Ao longo dos anos, Mascarenhas localizou e recuperou mais de uma centena de veículos. Chegou a manter uma equipe própria de mecânico e lanterneiro para consertar suas preciosidades. “Uma vez, tive de cortar uma árvore que nasceu dentro do carro.” Para guardar sua frota particular, precisou alugar vagas em vários estacionamentos da cidade. Ele costumava dizer que não era só uma paixão, tratava-se de um bom negócio, um investimento. Há oito anos, quando resolveu se desfazer da maior parte da coleção, viu que, considerados os gastos elevados com a restauração de cada modelo, o lucro da venda foi quase nulo. “Só negociei por falta de espaço físico”, conta ele. “Mas não vendo, não empresto e não alugo nenhum dos que ficaram.” Morrer de ciúmes de seus tesouros é outro traço muito comum entre os colecionadores.
Vitor Carpe, 28 anos. O figurinista guarda mais de 600 bonecas Barbie
A Barbie Fashion Designer de 1956, um presente que veio de Nova York há dois anos, foi a primeira da coleção. “Sempre fui louco por bonecas, mas não pude tê-las na infância”, diz Carpe. Na entrada de sua casa, três estantes estão tomadas por bonecas. “Quanto mais rara, mais cara.” Além do modelo Barbie fabricado pela Mattel, ele coleciona Gene Marshell, da americana Mel Oldom, e Fashion Royalty, da Integrity Toys — com roupas assinadas pelo estilista chinês Jason Wu, que vestiu a primeira-dama Michelle Obama na cerimônia de posse. Algumas bonecas podem custar até 12 000 reais. “As pessoas dizem que eu não tenho nada para fazer, mas ficam encantadas com elas.”
RETIRADO DA REVISTA VEJA DE BH
Valley Hummer possui uma enorme coleção de patos de borracha. Não é a maior do mundo, mas os números assustam. São 2469 patos, poucas centenas abaixo do recorde mundial atribuído a uma californiana.
Dimitris Pistiolas de Atenas tem a maior coleção de câmeras de vídeo. São 937 modelos de projetores antigos e modernos.
Desde 2003, o colecionador chinês Wang Guohua recolhe pacotes de cigarros, alguns dos quais ele mantém em seu quarto em Hangzhou, província de Zhejiang. Ele recolheu 30 mil maços de cigarros em mais de 100 empresas em 10 países.
Lisa Courtney entrou para o Guinness com a maior coleção de Pokemons da história. Já são 12.113 brinquedos.
Ron Hood mantém mais de 3000 brinquedos do doce PEZ no porão de sua casa em Leviston.
O agricultor Heinrich Cut demonstra vários dos seus 20 mil canecas de cerveja em Kakshavene. Curiosamente, ele não bebe cerveja, mas guarda as canecas desde 1997.
Pam Barker, de Leeds, possui a maior coleção de corujas da história. Já são 18 mil.
A coleção de Papais Noéis de Sharon Badgley é tão grande (cerca de 6 mil), que demorou três semanas para reunir todos.
















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